terça-feira, 8 de agosto de 2017

Brejo Santo um mosaico de histórias

(Por: Acrislaine Pereira)
Aqui, como bom e velho sertão, as coisas que não têm importância de fato, na história, no imaginário popular ganham misticismo e encantamento.
Fazem o leitor querer e se pensar naquele contexto. 
Bang-bang da melhor qualidade, na forma de brigas entre famílias. Amores proibidos, casais que namoravam até morrer... são alguns dos personagens incríveis, do passado de Brejo Santo, que até hoje, é conteúdo das rodas de conversa nas calçadas.   

A áurea de perigo dos irmãos Santos, que cometiam todo o tipo de atrocidades e eram bastante temidos. Passando pelos bandos "Calangos e Quirinos", conhecidos por causarem balbúrdia nas feiras de Brejo, com direito à tiroteio e assassinato por bala perdida. Os índios Kariris, selvagens, atacavam qualquer um que alcançasse seus domínios. E Lampião e seu Bando, que vinham pra cá, com o intuito de recrutar homens da região para seguirem com ele, preocupava os comandantes da cidade, obrigando-os à fazer cerco para proteger a população. Exatamente ali, na avenida Prefeito João Inácio de Lucena, herói nessa ocasião. 

Aqui a história é viva e traz consigo a presença e a passagem das pessoas que marcaram. 
Uma senhora chamada Rosa Roberta, professora, integrante do Coral do Sagrado Coração de Jesus, namorava um jovem conhecido por Tonheiro, que era servidor municipal. Por 40 anos eles namoraram, e, quando fora indagado, por d. Rosa, sobre quando se daria seu casamento, ele simples e "caradepaumente", respondeu:  "Rosa, se tiver avexada, arranje outro. " E eles NUNCA se casaram. Namoraram até morrer e a felicidade existiu mesmo assim.Hoje, quando casais namoram muito tempo recebem como apelido os nomes destes protagonistas. (Rosa e Tonheiro).

Uma senhora em meados de 1919, conhecida como "mãe de sangue de Brejo Santo ", por conta de seu tipo sanguíneo ser O+, ajudava quem precisasse, além de prestar serviços como parteira. Serviços pelos quais ela nada cobrava. Dona Sabina Maria, presente!  

E a história de amor proibido aqui, lembra Shakespeare, pois tem um Romeu e uma Julieta. Uma Julieta prometida à outro homem, para o desalento do nosso Romeu. Mas como boa Julieta,a nossa não  fugiu à regra!   Inconformada e de combinado com seu Romeu, fugiu às vésperas do casamento, refugiando-se em casa de um amigo de confiança, mas seu PAI não aceitou a situação. Planejou com um irmão, resgatá-la, e vestiram-se os dois de homens simples, entrando na propriedade do anfitrião de nossa Julieta e, tirando-a de lá, amarrada e, certamente, frustrada. 
Não houve mais casório, e desse dia, até o dia da morte de seu pai, nossa Julieta ficou privada de liberdade, estando sempre sob as vistas de empregados da confiança do memo. Felizmente, essa história teve um final feliz, sim! (Shakespeare teria um treco) Assim que o pai faleceu, nossa Julieta casou-se com seu Romeu. E somente a morte os separou, anos mais tarde. Ambos foram grande exemplos pra sociedade de Brejo Santo, ainda  em formação. Apresento-lhes: sr.Zeca Matias e dona Engrácia Sampaio.  

Muita coisa pra contar e pra ouvir com outros ouvidos. 
A passagem de um carro, por aqui, no início do séc IX, causou uma comoção! O primeiro automóvel que os brejossantenses viam, vinha do Recife com destino à Crato. E muitos anos depois, eternizado, numa foto antiga:  um menino em sua lambreta.

Chuvas que alagavam a cidade, derrubavam as igrejas, coisa que fazia todo mundo sair de casa pra assistir. 
Depois da gestão de Dr.Lucena, criou-se uma Lenda de que, haveria na fonte da Praça principal, um jacaré. Contava-se que dr. Lucena havia colocado o tal bicho na fonte. Algumas pessoas afirmavam categoricamente que já haviam visto o animal lá, escondido nas sombras. As crianças viviam tão curiosas à respeito disso, que, quando chovia, corriam pra praça, pra ver se o jacaré aparecia. Eu mesma fui lá algumas vezes, antes de a praça passar por outra reconstrução. 

E a fanfarra!  Ah a fanfarra acorda a gente nos melhores dias, abre o desfile do município, as procissões dos nossos padroeiros.  A fanfarra é como o nosso brasão: ela. É o brejo, fala do Brejo, mostra o melhor que o Brejo é. O melhor que pode ser. 
Saiba e tenha certeza: nossa história é uma perfeita história de gente que quer crescer, se desenvolver, e, que se cuida. Aqui tem esforço, cuidado e vontade de se provar, de ser mais. Nossa história é cheia do encanto pela terra. Do gosto pela terra, do cuidado com a terra. Aqui se fez cidade, nesse canto do sertão, aos pés da Serra, no leito do Cariri. 
O Brejo É isso!🌵🌼

Por: Acrislaine Pereira
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