Volume de material recuperado e encaminhado para reciclagem em 2026 foi de 2,4 toneladas, quase metade do ano anterior
A multidão que visita o Cariri para a Festa de Santo Antônio de Barbalha exige uma operação logística e ambiental. Em eventos de grande porte, o volume gerado em poucos dias pode comprometer a capacidade de reaproveitamento dos materiais quando não há separação adequada entre recicláveis, resíduos orgânicos e rejeitos. Em 2026, o volume de materiais recicláveis recuperados durante o evento foi de 2,4 toneladas, pouco mais da metade do ano anterior, quando os catadores que atuaram no período coletaram 4 toneladas.
O intenso consumo de bebidas e alimentos durante os festejos amplia a geração de resíduos sólidos e provoca uma demanda temporária maior sobre os serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos. Materiais como latinhas de alumínio e garrafas PET, por exemplo, são reaproveitados quando descartados corretamente e chegam em boas condições às etapas de triagem e reciclagem.
Contudo, materiais como guardanapos engordurados, copos sujos e resíduos de banheiros químicos acabam transformando o que seria reciclado em rejeito, ou seja, aquilo que perdeu totalmente a chance de reaproveitamento.
“Um dos grandes desafios no contexto dos grandes eventos é a contaminação dos materiais recicláveis. Para que os resíduos sejam reaproveitados, eles precisam ter qualidade. O problema é que, nesses eventos, há um grande consumo de alimentos, e restos orgânicos acabam sendo misturados ao material seco, como vidro, papel, papelão e latinhas de alumínio”, alerta Germário Araújo, doutor em saneamento e professor do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária do Instituto Federal do Ceará (IFCE), campus Juazeiro do Norte.
Ele explica que a mistura entre diferentes tipos de resíduos pode inviabilizar a reciclagem, pois exige etapas adicionais de separação e higienização antes do processo de reaproveitamento. Assim, a rapidez no manejo desses materiais é fundamental para reduzir impactos ambientais e riscos à saúde pública. “Essa agilidade é essencial para evitar o acúmulo de resíduos, a proliferação de maus odores e, principalmente, os riscos à saúde pública. O contato direto com materiais acumulados representa um perigo tanto para o público que frequenta o evento quanto para os trabalhadores envolvidos na operação”, afirma o professor.
Na avaliação de Araújo, o manejo adequado depende da combinação entre infraestrutura, organização e participação da população. É preciso ter condições para que resíduos secos (plástico, metal e vidro) sejam separados dos resíduos orgânicos, como restos de alimentos e bebidas. Ao mesmo tempo, é necessário ampliar a conscientização dos participantes sobre o descarte correto.
“Daí a importância da educação ambiental. Conscientizar as pessoas para que utilizem os recipientes de separação de forma adequada. Quando a sociedade faz a sua parte, toda a cadeia da reciclagem é fortalecida, desde a coleta rápida e a triagem até o reaproveitamento eficiente dos materiais”, afirma.
Valorização dos catadores
Nesse processo, o trabalho dos catadores de materiais recicláveis é essencial para garantir que produtos com potencial de reaproveitamento sejam recuperados antes de serem destinados como rejeitos.
Para a professora Amanda Pino, doutora em Engenharia Civil e Ambiental e professora do Instituto Federal do Ceará (IFCE), Campus Juazeiro do Norte, o fortalecimento dessa atuação passa pela garantia de condições adequadas de trabalho. “Do ponto de vista da gestão, é necessário assegurar condições dignas para esses profissionais. Isso envolve o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a oferta de treinamentos e capacitações e o incentivo à criação de cooperativas”, afirma.
Com o objetivo de fortalecer a atuação dos trabalhadores durante os festejos, a Regenera Cariri forneceu, pelo segundo ano consecutivo, capacitação, equipamentos de proteção individual (EPIs) e alimentação para os catadores envolvidos na operação.
“A iniciativa da Regenera Cariri é vista de forma muito positiva, pois valoriza o trabalho dos catadores e fortalece a sustentabilidade. O fornecimento de EPIs e alimentação oferece mais segurança para esses profissionais”, avalia Arôdo Macedo, secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Barbalha.
Sobre a Regenera Cariri
A Regenera Cariri será responsável pelo tratamento e pela destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos urbanos em nove cidades da região. As prefeituras de cada município permanecerão responsáveis pela coleta dos resíduos.
A gestão adequada dos resíduos contribui para a preservação ambiental, especialmente das fontes de águas subterrâneas, além de ampliar o potencial de geração de renda para os catadores, que poderão contar com melhores condições de saúde e segurança no desenvolvimento da atividade.

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