quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Equipe de Bolsonaro promete fazer pente-fino nos cargos federais vinculados ao Ceará

PSL contabiliza 2 mil cargos distribuídos em mais de 40 órgãos federais presentes no Ceará

Foto: Reprodução

Entre aliados, a prática de distribuir cargos públicos no Governo Federal, como os de Ministro de Estado, é vista como estratégica para garantir a aprovação de projetos de interesse da gestão no Poder Legislativo. 

Levantamento obtido pelo Diário do Nordeste mostra que, no Ceará, pelo menos 14 parlamentares mantêm apadrinhados no comando de alguns dos principais órgãos federais no Estado. A equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) promete fazer um pente fino nos cargos e priorizar a indicação de nomes técnicos. As mudanças devem começar a partir de janeiro.

Para isso, a cúpula do PSL no Ceará faz um "Raio-X" de todos os cargos existentes nos mais de 40 órgãos federais vinculados ao Estado para enviá-lo ao conhecimento da equipe de transição do futuro Governo Federal. Homem próximo de Bolsonaro aqui, o deputado federal eleito Heitor Freire já contabilizou 800 cargos no Estado e que podem ultrapassar os dois mil. Um levantamento obtido pelo Diário do Nordeste revela que o alto escalão de órgãos federais no Ceará é ocupado por indicados de deputados federais e senadores cearenses.

Pelo menos 14 parlamentares da bancada do Estado apadrinharam, no atual mandato, pessoas ligadas a eles para os postos de presidência, diretoria e superintendência de vários órgãos federais, como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), um dos mais cobiçados. Só na instituição financeira, quatro parlamentares mantêm cargos nomeados diretamente por eles.

O deputado federal reeleito José Guimarães (PT) e o senador Eunício Oliveira (MDB) são os que mais têm nomes no Banco, de acordo com dados colhidos junto a fontes do BNB. O deputado federal reeleito Genecias Noronha (SD) e o deputado federal Danilo Forte (PSDB) também estão entre os que mais possuem "lotes" em órgãos federais, entre eles o Instituto Nacional de Meteorologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que chama atenção pelo fato de sequer ter uma sede no Ceará. Sem contar os órgãos que são "divididos" por dois parlamentares ou mais.

Heitor Freire, que até o momento não foi convocado para funções no governo federal, sinaliza que essa forma de nomeação dos cargos públicos vai mudar e os critérios utilizados para preenchê-los serão técnicos. "Se você pegar o DNIT, tem que ser técnico, o DNOCS tem que ser técnico. Agora, você pega o IBAMA, pode ser um advogado com experiência em gestão, não necessariamente ser um biólogo, mas os critérios nunca vão ser partidários. Pode até ter indicação política, desde que o indicado tenha um perfil técnico", ressaltou.

Apesar de ser um dos interlocutores de Bolsonaro, Heitor nega ter "sede" de indicar nomes para cargos, "porque se acontecer alguma coisa em um órgão desse aí eu me queimo, já que a gente tá entrando com toda moral no governo". Por outro lado, o dirigente conta que dá palpites na formação do novo governo quando solicitado e que já enviou o currículo de algumas pessoas para cargos como o da presidência do BNB. O pesselista apresentou quatro nomes, entre eles o do vice-presidente de Investimentos e Controladoria do grupo M. Dias Branco, Geraldo Luciano, e de um dos diretores do BNB, Nicola Miccione, que são os mais cotados na disputa.

Ainda segundo Heitor Freire, a nomeação para esse e outros cargos de chefia do Governo Federal no Ceará só começará a partir de janeiro e as mudanças nos postos de baixo escalão ocorrerão gradualmente ao longo do governo. Ele pondera que qualquer troca de comando nos órgãos federais nos estados agora pode se tornar motivo para retaliações ao Governo Bolsonaro. "Não vai ter cortes drásticos porque se não a máquina para, se você colocar gente nova em tudo os caras não sabem nem pra onde é que vão", avalia.

Fonte: (Diário do Nordeste)
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