segunda-feira, 1 de maio de 2017

BELCHIOR CHEGANDO AO CÉU


Quando em vida aqui na terra
Foi cantor de marca maior
Suas músicas marcantes
Tornam nossa arte melhor
Por isso todo o Brasil aplaude
O grande artista Belchior.
Ao longo de quarenta anos
Construiu uma bela carreira
E se tornou um grande ícone
Da música popular brasileira
Agora foi cantar no céu
Todas as suas belas letras.
Deve ter se apresentado
À corte dos anjos e arcanjos
Cantando seu grande sucesso
“Rapaz latino-americano”
Pra completar o coro celeste
Era a voz que estava faltando.
A mudança que ele cantou
Em “Velha roupa colorida”
Fez ele sumir no mundo
Sem deixar rastro nem pista
Pegou ele de surpresa
E o levou pra outra vida.
Na entrevista de admissão
Pergunta vem, pergunta vai
Ele respondeu cantando
A canção “Como nossos pais”
“Quero lhe contar como eu vivi...”
“... É o quadro que dói mais.”
No meio da apresentação
Sua voz foi interrompida
Daquela imensidão celeste
Se ouvia uma forte voz feminina
Pra receber Belchior, cantando
Apareceu Elis Regina.
Antes que ela perguntasse
Deu a resposta antecipada:
“Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi:
Amiga, eu me desesperava...”
Na caminhada pelo céu
Encontrou vários conhecidos
Muitos artistas famosos
Que também já tinham morrido
Jair Rodrigues foi um deles
Bom cantor, parceiro e amigo.
Pra dizer como estava
Jair cantou um pouco mais:
“Eu era alegre como um rio,
Um bicho, um bando de pardais;
Como um galo, quando havia...
Quando havia galos, noites e quintais.”
Se eram parceiros na terra
Belchior, Jair e Elis Regina
Não foi diferente no céu
Essa amizade mais que bonita
Levando para a eternidade
Mais poesia, música e alegria.
Se a chegada de um grande amigo
É motivo pra festejar
Jair Rodrigues e Elis Regina
Começaram a relembrar
Os mais importante sucessos
Do filho ilustre do Ceará.
Pra explicar sua “Comédia humana”
Belchior logo cantou:
“Estava mais angustiado
Que um goleiro na hora do gol...
Aí um analista amigo meu...”
Disse que isso me maltratou.
Sobre essa última viagem
Em tom de quem não engana
Belchior cantou um pouco
Uma canção muito bacana:
“Os pés cansados e feridos
De andar légua tirana...nana...”
Foi diferente das outras
Quando eu ia de avião
Eu sentia muito medo
Mas sempre pegava na mão
Como se fosse a primeira vez
Era a mesma repetição.
is Regina admirada
Com a elegância do cantor
Cantou a bela “Mucuripe”
E a todos emocionou
Como ela sempre fez
Quando na terra passou:
“Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo ainda era flôr
Sob o meu chapéu quebrado
O sorriso ingênuo e franco...”
Mas Belchior reflexivo
E com seu jeito perspicaz
Respondeu a sua amiga
Sem grosseria, jamais:
“Amar e mudar as coisas
Me interessa mais.”
Aproveitando o embalo
Daquele suave som
Jair Rodrigues não perderia
A chance de mudar o tom
Perguntou porque ele estava
“Todo sujo de batom”.
Mas saindo pela tangente
Pois não tinha nada de besta
Belchior respondeu cantando
Em sinal de grande esperteza:
“Eu estou muito cansado
Do peso da minha cabeça...”
Esse foi mais um enigma
Que Belchior deixou no ar
E pela queixa que fez
Foi levado pra descansar
Já que chegou na eternidade
Não tem porque se apressar.

Autor: Wagner David Rocha
Prof. Me. em Letras pela UFCG.


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